Tentar engravidar
Tratamentos de fertilidade
Os problemas de fertilidade são mais frequentes do que o que se pensa, no entanto apenas uma pequena percentagem são realmente casos de infertelidade. Muitos casais, que tiveram problemas inicialmente, vêm o seu sonho de serem pais tornar-se realidade com ajuda médica.
Quem pode procurar ajuda médica?
Os tratamentos de fertilidade iniciaram-se com o nascimento do primeiro bebé-proveta, Louise Brown, em 1978, e estão sujeites a regulamentação, sendo que existem países com leis mais liberais.
Os tratamentos de fertilidade estão disponíveis para:
- Pessoas casadas que não se encontrem separadas judicialmente de pessoas e bens ou separadas de facto, ou as que, sendo de sexo diferente, vivam em condições análogas às dos conjugues há pelo menos dois anos
- Idade superior a 18 anos, e não inabilitado por anomalia psíquica (Lei nº32/2006 de 26 de Julho sobre Procriação Medicamente Assistida-PMA)
Mulheres na menopausa e casais homossexuais não podem ainda recorrer a estes tratamentos.
É necessário ainda ter em conta o preço dos tratamentos e as listas de espera.
Depois de testar ambos os parceiros, o médico irá decidir se pode ou não realizar os tratamentos e qual o que mais adequado face à sua situação.
Quais os exames de diagnóstico a realizar?
É necessário determinar as causas do problema de infertilidade. Para isso realizam-se exames médicos a ambos os parceiros.
Mulher:
- Testes de temperatura, para verificar se a ovolução é regular.
- Exames ecográficos
- Análises ao sangue
- Exames especificos para anomalias
- Histerosalpingografia – exame ao útero e trompas de falópio (muitos dos problemas de fertilidade e esterilidade devem-se a anomalias das trompas de falópio e das paredes do útero (endometrioses).
Homem:
- Análises ao sangue
- Análises ao esperma (para determinar a qualidade e a quantidade do esperma)
Quais os tratamentos?
- Drogas de fertilidade
Antes de iniciar tratamentos mais complexos, recorre-se a drogas de fertilidade (que também serão utilizadas na inseminação artificial ou FIV).
Estas drogas contêm um “anti-estrogénio” que estimula o hipótalamo e a ovolução (libertação de óvulos), para aumentar as probabilidades de engravidar. São dadas por via oral, entre o segundo e quinto dia do ciclo.
Se estas drogas não funcionarem poderá recorrer a outras, que contêm hormonas diferentes (gonadotropinas) em injecção.
Depois da ovulação é realizado uma ecografia e um teste de sangue.
Para aumentar as hipóteses de engravidar deverá também ter relações sexuais regulares (pelo menos uma vez por semana).
Se depois de 9 tratamentos (com os dois tipos de hormonas, um após o outro) não tiver engravidado, o seu médico poderá recomendar-lhe outro tratamento.
É importante que não esqueça que em muitos casos apenas precisa de uma ajuda para estimular os ovários. Por isso mantenha a calma e não desista. Lembre-se que um casal demora cerca de um ano a conceber… Seja paciente!!!!
- Inseminação artificial
Trata-se do mais antigo e simples método dos tratamentos de infertilidade. Recorre-se a este tratamento em casais que tenham um dos seguintes problemas: problemas com o muco cervical, anomalias no colo do útero, problemas na ovulação, má qualidade do esperma ou problemas na ejaculação.
A inseminação consiste em injectar o esperma do seu parceiro (ou dador) no útero, no momento exacto em que se dá a libertação do óvulo e ocorre a ovulação. Pode ser feita com esperma fresco (colhido na altura da inseminação), ou com esperma congelado (do parceiro ou dador).
Em 10 a 20% dos casos, para cada ciclo, este tratamento leva a uma gravidez. Sendo repetido normalmente até 6 vezes. Se não engravidar então recorre-se a outro método.
- Fertilização in vitro (FIV)
Recorre-se a este método quando, por qualquer motivo, não foi possivel fertilizar o óvulo por meios naturais. A ovulação é controlada recorrendo a drogas e os ovos fertilizados são implantados no útero.
A produção de óvulos é estimulada com uma injecção de gonadotropina, um passo realizado sob atenção médica cuidada, utilizando a quantidade de hormonas adequada e detectando por ecografia a presença de folículos.
Depois da produção de óvulos e do seu amadurecimento, estes são recolhidos antes da sua libertação. HMG (gonadotropinas humanas) são utilizadas para estimular a ovulação. Trinta e seis horas depois é removido o líquido folicular (que contém os óvulos) transvaginalmente (utilisando uma agulha e ecografia). As células no líquido folicular são fertilizadas com o esperma previamente recolhido, e são reimplantados dois ovos fertilizados no útero.
- Injecção de esperma intra-citoplasmática
É um procedimento utilizado nas últimas décadas. Envolve a injecção do espermatozóide directamente no óvulo. O espermatozóide e o óvulo são postos em contacto para que se dê a fertilização, ao contrário da fertilização in vitro em que a fertilização ocorre num tubo de ensaio.
Este método aumenta as probabilidades de engravidar, principalmente se o problema se deve a uma má qualidade do esperma; reduzido número de espermatozóides no esperma (neste caso os espermatozóides são recolhidos directamente dos testículos do seu parceiro); a situação de alergia ao esperma do parceiro ou no caso de estar infectada com HIV.
Estudos realizados na Bélgica indicam uma taxa de sucesso de 30% em mulheres com menos de 37 anos. 80% dos casais estudados conseguiram conceber.
Como superar as dificuldades dos tratamentos?
Os tratamentos de fertilidade não são fáceis de realizar, principalmente porque tem que aceitar que o problema existe e depois enfrentar um longo processo de consultas médicas, exames e tratamentos. Não é fácil ter relações sexuais por obrigação, principalmente quando ambos se encontram ansiosos.
Existe apoio psicológico para casais nestas situações, por isso não seja tímida de falar sobre o assunto a alguém (individualmente ou com o seu perceiro). Mesmo que pense que tudo vai correr bem é bom falar com alguém. O sucesso não é garantido e por isso deve preparar-se para superar um eventual insucesso.
Averigue que ajuda está ao seu dispor e entre em contacto com organizações que os possam ajudar. Muitas destas organizações foram desenvolvidas por pessoas que passaram exactamente pelo mesmo, por isso saberão ouvir, ajudar e informar.
